segunda-feira, 4 de maio de 2015

Beleza na distância e carrosseis


Talvez eu seja só incrivelmente dramática - e provavelmente é isso mesmo -, mas, de vez em quando, penso em quanto tempo dediquei desejando que eu saísse de Arcoverde. Lembro de ter pedido para fazer o ensino médio em outro lugar ou ir embora no terceiro ano, imaginando que a minha vida seria notoriamente melhor numa cidade maior. Porque, como todo mundo sabe, a felicidade está diretamente relacionada a presença de shoppings, cinemas e sabe se lá mais o que eu tanto desejava.
 Hoje, vivendo ao lado do shopping e morando ~sozinha~, como sonhei por muitos anos, passo a maior parte do tempo comparando o que tenho agora com o que eu costumava ter. É incrível morar numa cidade com tantas pracinhas, com tantos cartazes feministas espalhados por aí e com tanta diversidade de filmes no cinema. E o mais incrível de tudo é poder fazer um curso com o qual me identifico tanto que as vezes as aulas parecem durar apenas alguns minutos e as coisas que tenho que estudar parecem mais com pesquisas que eu faria mesmo sem ter a obrigação.
 Mas, nada é como estar em casa. Nada é como conviver com pessoas de quem você é amigo há anos. Nem como chegar em casa e contar aos seus pais como foi o seu dia. Ou estudar num colégio em que você conhece todos os funcionários. Aliás, conhecer funcionários é a especialidade de quem mora em cidades pequenas porque você sempre conhece alguém que consegue fazer o que precisa, seja para instalar um ar-condicionado, consertar a internet ou fazer um guarda-roupa. Além de saber o melhor prato de cada um dos restaurantes e lanchonetes existentes.
 Até mesmo as coisas mais irritantes parecem se tornar agradáveis. Discussões aleatórias soam bem razoáveis ao considerar que as desculpas não precisariam ser pedidas por uma mensagem de texto. Ter seus pais reclamando da quantidade de queijo ralado que você coloca no miojo é uma preocupação que ninguém mais tem com você. Dividir o controle com alguém nem é tão ruim assim. Vai ver é verdade que a saudade e a distância são capazes de embelezar tudo.
 Mas, não dar para voltar no tempo, nunca. Não dá para desdizer o que foi dito, nem para entrar numa máquina do tempo e aproveitar melhor o tempo junto com quem você ama. O máximo que dá para fazer é agarrar qualquer oportunidade que surja para demonstrar que a distância não é o suficiente para enfraquecer um relacionamento. As memórias ainda estarão lá. É como diz a irritante frase de Grey's Anatomy que é repetida em todos o momentos ruins: O carrossel nunca para de girar. 

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